Não são exatamente 100 dias, mas são 83 dias entre nuvens e asfalto. Assim, empresto o título do livro de Almyr Klink para definir como me sinto.
Chegamos há exatos 83 dias e confesso que em todos esses dias tenho pensado muito em o que significa esperar. É como estar navegando a deriva sem instrumentos e sem ser navegador.
A espera pode ser longa, mas assim como num barco a deriva no oceano, alguém estará pronto para lhe ver na hora mais apropriada para que isso ocorra. Nem um minuto antes e nem um minuto depois.
Assim, cabe a nós exercitarmos o ostracismo temporário e o ócio. Essa é a parte difícil da coisa, para todos aqueles que não estão acostumados a estar nessa situação.
Mas manter a cabeça sobre o pescoço e ainda conseguir que ela esteja ao nosso favor, e não contra nós é um desafio sem precedentes. A tarefa parece extremamente simples, porém de uma complexidade cotidiana sem comparação. É um exercício diário de se reinventar, lembrar o que você é e sobre tudo como não perder a esperança.
Quando não se tem um trabalho, perdemos nossa bússola em um oceano que pensávamos que conhecíamos. Mas agora não há retorno, temos que encontrar o caminho para a volta a terra firme e ainda saber que essa não será mais aquela terra que conhecíamos, assim como nos também não somos os mesmos.
Não vamos culpar o vento porque ele mudou de direção, vamos ajustar as nossas velas para melhor aproveitá-lo.
Abraços
Us

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